03 March 2002 - LiRiSmO dO ReAL
Sonhar é ver Ísis dancar sob a chuva azul na negra noite fria... empunhando um guarda-chuva colorido e seguindo os passos de seu anfitriao, uma marionete na escuridao...
É ouvir o louco poeta que grita, do alto da torre, sua poesia-arrastao e tropecar na cabeca perdida da mulher, que clama por redencao. É ver a suicida morta na banheira sem água, e ler no bilhete... que preferiu se matar "sem água" pra nao morrer de frio! É conversar com espelhos que contam o que deveriam refletir. É ouvir um “miau” perdido em meio às chamas que estralam, e Hamlet cantando seu dilema do alto da árvore do cemitério de nossas ilusoes. É, afinal, perceber que, sem querer, a vida é sonhar... e por mais que nao haja palavras sempre haverá sonhos... e muita fantasia.
(Tudo isso aconteceu numa peça de teatro-encenacao-instalacao ao ar livre que visitei na UEL há uns belos oito anos. Foi uma das melhores experiências que o FILO me proporcionou. A noite estava fria e tive que percorrer os matos da universidade para observar cada uma das instalacoes. E da escuridao pululava a vida-sonho de artistas eternos. O FILO realmente me apresentou a sonhos exuberantes. E hoje continuo a sonhar sonhos nao realizados em pecas de teatro, mas tao exuberantes quanto aqueles que pude presenciar naqueles líricos dias.)
Publicado em 29 de fevereiro de 2008 às 09:45 por ariadne